O ser humano sente extrema necessidade de se relacionar com o seu semelhante; porém, essa necessidade tão comum – que deveria ser suprida de maneira eficaz – tem causado enormes prejuízos e marcas profundas em milhares de pessoas.
Quero chamar a sua atenção para algumas questões: quantas pessoas fazem parte do seu convívio? Tente pensar no geral – em seus familiares, amigos, colegas e profissionais que, de algum modo, atendem você, como, por exemplo, seu cabeleireiro, mecânico, professor… Quais lugares você frequenta? Onde mora? Com quem você não fala há muitos anos? O que mais você diz a seus atuais amigos? Que sensação você tem ao conversar com essas pessoas? Receio, alegria, amor, ódio, proteção, temor, respeito, desejo, frieza, surpresa, monotonia, preconceito, desprezo, inveja ou incômodo?
Temos de ser sensíveis a esse ponto para que algo comece a mudar hoje em nossa vida quando se trata de convívio, pois passamos mais da metade do nosso dia relacionando-nos com pessoas, e podemos evitar muitos conflitos e amarguras se formos guiados pelo Senhor.
Em primeiro lugar, precisamos entender o sentido da palavra relação; alguns de seus significados são conhecimento, amizade, trato, convivência, envolvimento.
Agora que sabemos mais sobre essa palavra – ao contrário do que alguns acham, pois, para eles, esse termo é apenas usado para designar o relacionamento sexual –, vemos que ela diz respeito à relação em geral.
Muitas ovelhas que venho pastoreando há certo tempo encontram-se doentes por motivos insignificantes. Muitas se martirizam até hoje por algo que não cometeram, por algo que fizeram ou, ainda, fizeram a elas. A cura para esse problema está em uma consciência liberta e restaurada pelo Espírito Santo.
Quem se tornou vítima de uma relação amarga dever ser restaurado, assim como uma obra antiga e desgastada pelo tempo é reparada ao passar pelas mãos de um artista. É pela restauração que devemos passar; para isso, deve haver muita paciência e todo o cuidado para que voltemos à nossa a forma original. Jesus, ao morrer na cruz, fez isso por nós, trazendo de volta a bênção à qual o homem tinha direito antes de pecar.
Vemos, na Bíblia, vários casos de relações infelizes; no entanto, o primeiro que mencionarei é extremamente grave – e você não pode ter esse tipo de relacionamento nem de brincadeira. Eu me refiro ao relacionamento com Satanás. Muitas pessoas brincam com o mundo espiritual e se esquecem de que ele é real; por isso, aceitam orgias, acham-se liberais a ponto de não se privarem de excessos e, então, entregam-se à sensualidade, aos palavrões e aos demais comportamentos errados, ainda que sem a intenção de se relacionarem com o diabo. Cuidado! Eva estava em uma condição de comunhão com Deus bem maior que a de muitos hoje, pois falava com Ele face a face todos os dias. Mesmo assim, ela caiu: Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela (Gn 3.4-6).
Note que somente após esse diálogo é que a mulher “viu”. Há muitas pessoas enxergando diversos fatos que não veriam se tivessem um pouco mais de cuidado com o mundo espiritual. Há maridos doentes de ciúmes, e também esposas, pois o inimigo os tem convencido de que os cônjuges os traemessa semente maligna convence a pessoa de coisas irreais e até mesmo vergonhosas.
Hoje, muitos não veem nenhum problema em, por exemplo, trair o cônjuge ou, ainda, manter um relacionamento íntimo com alguém do mesmo sexo; eles se convenceram de que o caso deles é especial e, por isso, podem cometer falcatruas, usando equivocadamente a passagem bíblica que diz: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela (Jo 8.7).
Querido, feche essa brecha hoje! Satanás é terrível e, se você der ao menos uma simples abertura para diálogo, ele o convencerá a seguir no caminho dele, que, em muitos casos, é sem volta. E, assim, um grande número de pessoas se envolve com o tráfico, as drogas, e é destruído.
Em João 8.44, está escrito: Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
O segundo e último tipo de relacionamento de que preciso falar diz respeito à traição, calúnia, rejeição e vingança – sentimentos esses que estão presentes em todas as camadas da sociedade.
Já vimos e ouvimos casos de assustar: filhos matando pais; pais tirando a vida dos próprios filhos, e irmãos odiando-se, como aconteceu com Caim, que matou Abel: E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou (Gn 4.8).
O perdão é a única opção de cura. Então, eu lhe pergunto: o seu ódio mudará algo naquela pessoa? Com certeza, não! Já o perdão transformará muita coisa em você. Não tenha medo de se relacionar com ninguém achando que sempre será prejudicado. Como, então, não se ferir? Isso só é possível para quem está blindado pela misericórdia e pelo amor divinos. Esse amor será responsável em ser seu escudo contra qualquer ataque fraudulento e carregado de maldade.
Mesmo Judas tendo traído Jesus, Cristo venceu a morte. Esse poder tomou conta de Davi quando teve a oportunidade de matar Saul, que tinha ódio mortal de Davi, mas a visão do filho de Jessé estava tomada dessa misericórdia e compreensão, e isso o fez olhar ainda como homem de Deus. Às vezes, Satanás oprime pessoas, como fez com Saul, e elas passam a odiá-lo sem causa; simplesmente odeiam você sem a menor justificativa. Esse sentimento é maligno. Portanto, não caia no jogo do diabo! Fuja o quanto puder e, quando tiver a oportunidade de destruir alguém, abençoe-o; agindo assim, você será bem-aventurado.
Outros o odeiam por inveja – outro sentimento que movia Saul.
Reveja as perguntas que fiz no começo: que sensação você tem ao falar com essas pessoas? Temos de filtrar e domar esses sentimentos, ser sensíveis a ponto de sabermos como agir.
Que algo comece a mudar hoje na minha e na sua vida quando se trata de convívio, pois passamos mais da metade do nosso dia relacionando-nos com pessoas. Essa é a chave para um relacionamento sadio e não amargo.
Que Deus o abençoe!
Com amor,
Fabiano Motta